| Erros Comuns no RPG | |||
| Mitos Desvendados Quem jogou RPG, já jogou inúmeras aventuras representando personagens de fantasia medieval e já se viu em casos nos quais questionava o realismo da situação. Embora haja uma contradição semântica entre os termos “realismo” e “fantasia”, há também que se reconhecer que sem alguma medida de realismo fica complicado para jogadores e mestres se relacionarem com o mundo imaginário à sua volta. É aí que entra o dilema: “Como incluir o realismo na fantasia medieval, quando nascemos e crescemos nos tempos modernos?” e a pergunta é valida, afinal quem de nós tem experiência real em luta com armas medievais? Quantos de nós têm experiência em cavalgar? Você já matou algum dragão? Enfim, tudo isso são conceitos alienígenas à maioria dos jogadores e, portanto, geram margem a grandes distorções da realidade. Contudo, com um pouco de informação e uma medida de bom senso, mestres e jogadores podem encontrar terra firme no mar de conjecturas de uma partida de RPG fantasy. Há inúmeras fontes de informação a respeito. Uma das minhas favoritas é um programa veiculado no History Channel, que se chama Conquista (Conquest) que é apresentado por Peter Woodward. Nele, o apresentador e a equipe exploram técnicas e praticidades do combate medieval com diversas armas e vestes épicas. Outra opção menos aconselhável é buscar experiência em primeira mão. Essa, eu aconselho a deixarem para quem já tem alguma experiência porque há muito risco de que alguém se machuque. Neste intuito,para preservar a saúde física de colegas jogadores, eu fui buscar alguma informação e seguem alguns casos desmistificados: O Mito da Armadura Silenciosa: Um exemplo clássico que encontramos no RPG é o do personagem usando cota-de-malha que se esgueira silenciosamente pelas sombras. Bom, qualquer um que tenha vestido uma réplica de cota-de-malha sabe que aquele negócio faz um tilintar dos diabos. É como se você pendurasse uns trinta molhos de chaves no pescoço e saísse andando por aí. Faz barulho. O peso nem atrapalha tanto, desde que você não vá se meter a besta de entrar na água. Quem tiver dúvidas a respeito que contate a Guilda dos Armoreiros: http://guildadosarmoreiros.com.br/. O Mito do Arqueiro Franzino: Com freqüência pensamos no arqueiro como o guerreiro franzino do grupo. Pensamos nele como um sujeito ágil e rápido (o que não está errado) e logo concluímos que ele deva ser esbelto e lépido. Bem, um long bow daqueles que o Robin Hood usava tem uma puxada de 60lbs. Ninguém que puxa 60lbs 10-20 vezes seguidas pode ser menos forte que um estivador moderno. É sério! Eu comprei um arco e tentei... Até pegar o jeito, lá pela quinta flecha o braço já começa a tremer. Depois de experimentar o suplício diversas vezes, verifiquei que historiadores confirmam minha impressão. Os arqueiros sempre foram dos guerreiros mais robustos nos campos de batalha e sua agilidade era comparativa e evidenciada apenas pelo fato de não usarem armadura pesada. O Mito do Cavalo de Batalha Perfeito: Que paladino que se presta andaria num cavalo de carga? Resposta: Todos! Essencialmente, o cavalo de batalha de um cavaleiro medieval é um bruto igualzinho ao cavalo que puxa o arado. A diferença é só no treino. Sua velocidade é baixíssima e ele não tem grande resistência a longas cavalgadas. Historiadores militares dizem que ele era selecionado pelo trote macio e pela capacidade de suportar peso. Se você quer mesmo velocidade e resistência, desista da armadura e escolha um puro-sangue árabe. Visitei um haras no interior de SP que cruza uma variedade de cavalo pesado, o Bretão (aquele do Ladyhawk). De fato, o bichão que pesa uns bons 900kgs tem um trote macio (o mais macio que conheci até hoje) e não é difícil ficar equilibrado em cima dele sem as mãos às rédeas. Contudo, ele não agüenta galopar mais que cinco a dez minutos e retorna logo ao trote. Por isso, esclarece a veterinária que me acompanhava, ele é considerado bom apenas para o “tiro” – corrida de curta distancia. Dentre os cavalos que já montei, é sem dúvida o que possui menos resistência física para a corrida e maior força (dizem que puxa até 4 toneladas em uma carroça). Outras raças típicas com características semelhantes são o Cob (Galês), o Shire (Alemão), o Fredricksborgs (Dinamarquês) e o Andaluz (Espanhol); todos descendentes do Berbere primitivo. O Mito do Combate Demorado: Tendo manuseado algumas espadas (réplicas na maioria), surgiu a curiosidade de verificar o quanto um combate com espada longa ou de mão-e-meia pode durar. Aconselhei-me por e-mail com um armeiro chamado Fulvio Del Tin (http://www.deltin.net/), que sugeriu que eu pegasse um cano de ferro de 2 polegadas com 1,40M e mandasse ver num poste de madeira pra ver o quanto eu agüentaria. Bom, sendo ele o especialista, segui as instruções à risca. Enterrei um mourão de madeira no quintal até 1/3 do cumprimento e comecei a descer o cano nele, imaginando um terrível oponente. No começo (primeiros 2 minutos), estava empolgado e simulava o combate com golpes à esquerda e à direita do poste. Aos 5 minutos, o braço já estava reclamando e notei que eu já estava recorrendo à inércia dos golpes mais que ao direcionamento consciente deles. Nesta altura do campeonato, a freqüência dos golpes diminuía e o controle sobre o cano ia decaindo junto com a freqüência. Aos dez minutos, suava cântaros e os braços moles já não queriam briga. Foi aí que, ao me corresponder novamente com o italiano, ele me informou que o peso do cano era aproximadamente 3/4 do peso da espada (urg!). Senti-me o fracote da década e agradeci secretamente a invenção da pólvora em minha mente. Descontando-se que um guerreiro medieval devia praticar diariamente e, portanto, estaria mais apto fisicamente à tarefa que este rato de cidade, não consigo imaginar um combate contínuo que durasse mais que dez minutos pra se resolver. O Mito da Espada Indestrutível: Já que tocamos no assunto da espada, lembro de nutrir na infância a noção de que as espadas eram elementos indestrutíveis e sempre reluzentes quando não estavam recobertas no sangue inimigo. Ilusão! As espadas genuínas são confeccionadas em aço carbono e requerem cuidados constantes para não enferrujarem ou perderem o fio. Ademais, se abusar dos golpes e bloqueios com elas, a lamina fica dentada num instante (a minha primeira espada de treino ficou) e se o exagero é grande, a espada se parte em mil pedacinhos – geralmente atingindo ao usuário dela tanto quanto o alvo. Eu vi acontecer com um sujeito num treino de espada e não foi nada bonito... Hoje, acredito piamente que os guerreiros de outrora não estavam sempre com a espada à cinta e pronta para o combate. Ao contrario, ela devia ficar muito mais tempo protegida dos elementos ou na mão do escudeiro que a limpava e afiava | |||
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